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Consultório Poético

Blog

Sexta-feira, Maio 09, 2008

O GRANDE TESTE
Arte de Richard Hamilton

Fabrício Carpinejar



Inverno, e as mulheres pisam diferentes.

São as botas. Mais determinadas. Mais intrépidas. Marrons, pretas, beges, de couro, com detalhes em lã.

Ainda mais se a bota está acompanhada de saia e meias pretas. Zombando do frio. Desafiando o vento das esquinas. Soltando o rejunte das calçadas. Assim como existe um controle de natalidade, deveria ser criado um controle de excitação. Dissuadir o excessivo emprego de botas no mesmo período. É um congestionamento sensual. Um ataque frontal ao pudor.

Giro o corpo e enxergo uma procissão de mulheres preparadas. Elas dobram as pernas como se estivessem armadas. A bota tem ainda mais periculosidade do que o salto, isso quando os dois não estão juntos. Não sei o que uma mulher de salto é capaz de fazer, tenho medo do que fará uma mulher de bota.

Tirar a bota é uma proeza. A mulher percebe o trabalho. Exige uma técnica de deslize que nem sempre funciona. Uma sucção exata. Uma pressão calculada.

Estresse e desconforto para realizar sozinha, ainda mais cansada depois do trabalho. Não tem graça. Ela repassa o estorvo ao seu homem. Mas o homem precisa converter o estorvo em delicadeza. Transformar o problema em sedução. Transmitir a imagem de que é natural. Que nasceu para trabalhar numa loja de sapatos. Tem que convencer que é fácilfácil e soltar ao final um riso blasfemo com a pergunta: "só isso?".

Quando uma mulher nos pede para tirar seu par, é o grande teste. O grande TESTE de nossa virilidade. Não será abrir uma lata de pepino. Não será trocar lâmpada. Não será arrumar chuveiro. Não será matar barata que decidirá nossa vocação bíblica. Homens já foram descartados da relação por não conseguirem puxar a bota com elegância.

Homens que não identificaram o heroísmo do ato e se enganaram com a medição dos pulsos e foram bárbaros e boçais e levarem as meias de arrasto. Homens que bateram com as costas no armário, tamanha a concentração desmedida dos dedos. Homens que provocaram torções e arranhões imperdoáveis pela rudeza do trato.

Ela está deitada, vulnerável. Posicionada para um longo piquenique sexual. Repassou uma confiança absurda para seus ombros. Observa assustada. É o equivalente a perder a virgindade.

Cuidado para não ser cômico muito menos acintoso. Não pode provocar barulho. É o primeiro sinal de que está conseguindo. Segurar as solas com a mão completa. Mão cheia. Um arranque e suavidade. Não é crescente o processo de marchas: primeira, segunda, terceira, quarta e quinta. É alternadamente confuso, entre ganhar velocidade e recuar: quinta marcha, primeira, segunda, terceira, quarta. Aliás, o primeiro movimento é de ré. Um empurrão para dentro, como se estivesse colocando de novo o calçado. Um sábio despiste que facilitará a saída. Enganará a bota com esse gesto. A bota é burra, não compreenderá o falso ajuste, concluirá que desistiu. Depende dele para seguir. Sem a ré, encontrará resistência, retranca, medo. Porque a bota é ciumenta, detesta concorrência, não pretende ser dividida. Seu duelo é com a bota, não com a mulher.

Aos poucos, as botas se soltarão, cobrindo as mangas de sua camisa.

E conhecerá o que pouquíssimos varões desfrutaram. O agradecimento das pernas. O abraço definitivo das pernas dela. O abraço que os braços nunca experimentaram.

10:57 AM :: Comentários:

TRÊS BLOGS FUNDAMENTAIS DE AMIGOS


A linda Márcia Tiburi está com blog novo. PinkPunk para vocês!


O endiabrado Paulo Scott mudou tanto de endereço na web, que não custa reforçar a localização.


O infatigável Alfredo Aquino demorou, mas veio com suas pinceladas rápidas e sua cultura ampliar o bom gosto na rede.

10:50 AM :: Comentários:


Quinta-feira, Maio 08, 2008

GRAVANDO NA ITAPEMA FM



Um flagrante de minha gravação na rádio Itapema, feita por Fábio Codevilla. Colaboro com comentários para o programa Aboadica.

2:27 PM :: Comentários:


Terça-feira, Maio 06, 2008

DUAS VEZES ANA:
A MULHER MAIS IMPORTANTE DE MINHA VIDA


Quando amo, escrevo pelo medo de esquecer o desejo. Quando sofro, escrevo para desejar o esquecimento.

Fabrício Carpinejar



Ana, seu nome curto que me faz repetir duas vezes. Quando estou no escritório e grito: - AnaAna! E nunca tenho o que falar, eu grito para não perdê-la de vista. Várias vezes ao dia. Grito para saber onde está. Para localizá-la pela voz. Virei piada de nosso filho, que me imita ao sair para a escola.

Se me dói a separação momentânea pela própria casa, pode prever o quanto me dói nossa separação pelas ruas. Nossa separação pelas cidades. Nossa separação pelas palavras.

Caminho pelo terraço, as roupas balançam fanáticas no varal, meu rosto é uma laranja-de-umbigo. O sol apareceu depois das goteiras no quarto. Visto o abrigo azul, aquele que usou ontem– é curioso que repartimos os velhos panos do conforto.

Mas não é só isso: eu não sei o que é meu. Não sei realmente o que é mais meu. Éramos um colchão e uma prateleira de tijolos no início. Mais espaço livre do que corpo.

Na adolescência, eu tinha o meu quarto. Definido, imponderável quarto, ao fundo do corredor. Os pôsteres de rock, coleção de Placar e Playboy, roupas de surfista. Obrigava a qualquer um bater para entrar. Conhecia os objetos de cor e o pouso dos lugares. Defendia meu domínio. Hoje não posso nem me defender: porque eu sou tanto seu quanto já fui meu. As chaves têm o peso de minhas unhas. Sou tanto seu que não mais me pertenço. Encharcado de sua memória. Seus pais são meus pais, não canso de repetir sua infância para aumentar a minha.

Com a tempestade desde sexta, o Rio dos Sinos subiu para cinco metros. Eu também passei de minha altura e corro pelas calçadas procurando uma porta aberta.

Ao escutar algo engraçado, penso em você. Pela recompensa de ouvir sua risada. Será assim sempre. No rádio, o locutor errou o nome da peça e disse: "A sutil arte de escoar pelo rabo". Era “ralo”, e você riu quando descrevi a cena e pensou que inventei a história para lhe agradar. Faltou mesmo inventar mais histórias. Economizei sua alegria. Fui avarento.

Eu a observo com reverência. Admiração é para quem pode assinar seu nome. Tudo o que escrevi sobre você foi pouco, são papéis que deixei em minhas roupas e se acumularam nos bolsos de trás das calças depois da lavagem. Papéis picotados, farelos de uma distração incalculável. Sou esse papel que se esmigalha ao toque. Porque ele só existirá de verdade em sua pele.

Os bolsos de trás! Repara nos bolsos frouxos de suas calças jeans. Envelopes presos por um fio. Todos puxados pela minha mania de aquecer os dedos em sua cintura. Nunca dependi de luvas. Estou também descosturado.

Isso não é um texto, Ana, como os outros. É ainda meu grito. Parado no escritório. Ao lado do computador. Na primeira gaveta do lado direito.

AnaAna!

É raro encontrar um amor, mais raro merecê-lo.

3:27 PM :: Comentários:

DEPOIS DE DOMINGO



O que me arrebata é que o filhote Vicente estava no Beira-Rio e vai me ajudar a lembrar. Minha mão ficou grudada na taça.



3:19 PM :: Comentários:


Segunda-feira, Maio 05, 2008

VALE A PENA?



"Amor não é unicamente química, é física. Dependemos de espaço."
Trecho de minha resposta para leitora que pergunta se deve embarcar numa aventura diante do casamento de quatro anos.

Confira a história na penumbra do consultório poético.

11:20 AM :: Comentários:

REVISTA MUITO/JORNAL A TARDE
Salvador (BA) - Domingo, 4/5/2008, P-42


11:08 AM :: Comentários:


Domingo, Maio 04, 2008

A DOLOROSA COMPAIXÃO DE UM FILHO POR SEU PAI
Mais maduro, Fabrício Carpinejar revisa o poema Um Terno de Pássaros ao Sul

Francisco Quinteiro Pires

Foto de Renata Stoduto

O poeta - Carpinejar esperou oito anos para encarar com mais franqueza o acerto de contas doloroso, mas bem-sucedido, com Carlos Nejar


Quando escreveu a primeira versão de Um Terno de Pássaros ao Sul, publicada em 2000, o poeta gaúcho Fabrício Carpinejar sentiu medo. Ele fugiu de certas reflexões sobre a sua relação com o pai, escondendo-se atrás de metáforas um tanto afetadas. 'O poeta não suporta aquilo que está descobrindo com o poema: ele olha para o lado, tenta disfarçar', diz. As imagens construídas no poema representavam fuga e desvio. 'Só vejo o que escondo.' Carpinejar aprendeu: não dá para fugir da memória, até daquela que está construída em bases imaginárias e não somente no vivido. A poesia tem de se tornar a 'carne viva, sem pele, sem proteção'. É a revelação.

Carpinejar precisou de oito anos para encarar o acerto de contas doloroso, mas bem-sucedido com o seu pai Carlos Nejar, que se divorciou de Maria Carpi, quando Carpinejar tinha 7 anos. 'Meu retorno ao livro foi isso: vou ficar até o fim, chorando ou não.' Em 2008, surge outro Um Terno de Pássaros ao Sul (Bertrand Brasil, 96 págs., R$ 25) revisado, com a inclusão de passagens novas, em que o filho é capaz de encarar melhor a si mesmo, processo inevitável no amadurecimento, e de sentir a compaixão por um pai ausente, a encarnação do abandono. 'Nasci vingativo,/ negando o que deveria perdoar,/ omitindo/ o que deveria mencionar/ exagerando para soar falso/ o que de verdade sinto.'

Na nova versão, Carpinejar faz uma descrição da infância do pai e não fica preso somente à imagem do pampa, essa mitologia afetiva localizada no Sul. Sua obsessão afetiva é repetir o verso apelativo 'Volta ao pampa, pai'. Para entender-se, Carpinejar precisou entender a experiência do pai, esse 'anjo atrapalhado', desde a infância - se ele podia brincar ou não, por exemplo. 'Permaneceste apartado das pipas,/ das bolitas, das corridas de rolimã.// Menino sensível,/ fruto sem caroço./ Eternamente em casa.// Romã sufocada pela casca./ Não brincaste contigo,/ não brincarias comigo.' Carpinejar afirma ser necessário traçar a sua árvore genealógica para entender e, só depois, enfrentar os condicionamentos herdados do pai. 'Da herança, recebi/ teu pincel de barba./ Saio à rua para arder./ Quando te cortas,/ és meu pai./ Quando me corto,/ sou teu sangue.'

O diálogo se fez indispensável, assim como a visita franca - e corajosa - ao passado. 'O que é mais comovente é que meu pai tenha sido uma criança tão desajeitada quanto eu fui', ele diz. Essa constatação é fundamental na travessia do poema único, feito em tercetos sem métrica fixa, que compõe Um Terno de Pássaros ao Sul.

A agressividade que atravessa os versos dá lugar à compreensão. Carpinejar cita uma imagem contida na obra Assim na Terra - uma de suas influências, ao lado de Pedro Páramo (Juan Rulfo) e Carta Ao Pai (Kafka) -, de Luiz Sérgio Metz, para explicar como ele se tornou compreensivo. Indivíduos vendados caminham pelos descampados do pampa, e irão assim até onde agüentarem. Sob o peso de suas memórias magoadas, Carpinejar percebeu que precisava agir como um cego: tatear, apalpar, desenvolver outros sentidos. 'É tentar ensinar o abraço a duas pessoas que se tornaram muito carentes, e nesse caso aproximar é uma forma de ferir.' Ele explica que os homens estão treinados para se proteger e evitar as vulnerabilidades, que podem ser confundidas com a manifestação do afeto. 'É aquele desconforto mútuo de não saber receber.'

O problema não está tão-somente no ato da doação, é possível ler nesse longo poema do escritor nascido em Caxias do Sul, em 1972. Está em saber receber aquele que um dia se ausentou e que, por isso mesmo, se tornou mais desejado. O retorno do pai pode ser tão devastador quanto a partida e a prolongada ausência. 'Sim, o dia do retorno/ toma o que é livre/ e não restará vôo de nossa carne,// como se o corpo/ houvesse sido imaginado.'

Carpinejar explica que, apesar de haver um acerto de contas entre ele e seu pai, não quer ser fixado por ninguém na leitura dos versos, quer é ser esquecido. 'O poeta está atuando para o leitor, que deve povoar o poema.' Em Um Terno de Pássaros ao Sul, ele mostra a importância de conquistar a serenidade em relação ao passado: examinar o que há de exagerado e imaginado nas memórias, que são o fardo do indivíduo pela vida afora. 'Eu me despedi do passado, quando falo dele eu acabo me libertando.' Porque os segredos são maiores quando guardados, quando são ditos, eles se esvaziam. 'Há uma serenidade em aceitar o pai como ele é, e não como eu queria que ele fosse', diz.

Ao perceber as fraquezas e dores do pai real, com o qual passou a conviver mais a partir da adolescência, Carpinejar se transformou num adulto, ou por outra e melhor, ele se tornou o pai de si mesmo. Não teve medo de ser adulto, mal de que padecem as famílias de hoje, que se infantilizaram e se contagiaram por uma lógica empresarial, segundo o poeta gaúcho. 'A família hoje está contaminada com a idéia de empresa, como se ela tivesse a obrigação de dar certo ou ter um objetivo, ela é apenas um espaço de abastecimento de afetos', diz.

Para ele, os pais atuais são crianças reclamonas, que não sabem fazer boa propaganda da vida adulta, sinônimo de dor de cabeça, de falta de grana e de tempo. Existe um mal-estar; os pais estão preocupados em ser perfeitos, o que aumenta a carga de responsabilidades. 'A gente vê esse excesso de obrigações e quer se infantilizar para não pensar nisso.' O maior medo não é o de envelhecer, mas o de se tornar um adulto. 'Na hora em que tivermos o medo de ser criança, aí não sei o que vai ser' completa.

O Carpinejar do Um Terno de Pássaros ao Sul de 2008 é mais adulto do que o de 2000, ele teve de encarar essa exigência. Nesse ponto, ele atingiu a maturidade, por meio da qual percebeu ser necessária a mudança das palavras e das imagens no poema, cujo título encerra a utopia da união inocente e afetiva do trio: o filho e os seus pais.

Antes de chegar a tal percepção, Carpinejar precisou se calar e aceitar a imagem do marido que sua mãe, Maria, lhe passava. A distância ia se transformado em distanciamento, que é a ausência engolida a contragosto, aquela que ensina o homem a ser frio. 'E, quando se tem algo importante e dolorido para perguntar e não se pergunta, forçosamente tu és ensinado a acumular o silêncio', diz.

Esse silêncio acumulado gera um excesso, que não é outra coisa senão o esquecimento do que se queria perguntar e do jeito de perguntar. 'Daí tudo começa a ficar solene, a dor que é terrível se soleniza', emenda. O que faz lembrar o fim da crônica Para Maria da Graça, de Paulo Mendes Campos: 'a própria dor deve ter a sua medida: é feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor'. Mas não é perigoso abandonar o rancor para ultrapassar a fronteira depois da qual há o encontro com a compreensão baseada no amor.



Publicado em O Estado de S. Paulo, Caderno 2/Cultura, p-13, 04/05/2008

11:27 AM :: Comentários:

UM TERNO DE PÁSSAROS AO SUL NAS LIVRARIAS

É complicado mexer em livro publicado, ainda mais premiado e com ótimas críticas.
Foi o que fiz com minha segunda obra, que abriu minha trajetória. Cortei versos evasivos, ampliei passagens, eliminei esconderijos, deixei o coração boiar na tinta. Porque o escuro não dói, dói a luz quando ficamos muito tempo no escuro.

Um terno de pássaros ao sul (95 páginas, R$ 25,00) está circulando com uma edição totalmente revista, com poemas inéditos. Pela Bertrand Brasil.

Mostro a bela capa de Silvana Mattievich. Nela, a arqueologia de minha infância e paternidade:



- meu ditado na escola, onde errava 85% das palavras
- o violino de meu avô
- o prontuário médico da escola, com tudo o que você pode imaginar de consulta
- assinatura materna no boletim
- minha primeira foto 3X4
- minha mão e do Vicente no caderno de anotações de meu pai
- meus pés e os de Mariana na rede
- imagens do pampa e do mar
- minha caixa de gravatas
- coleção de Futebol Cards e ingressos de futebol
- catavento azul e um verão inesquecível.

(Quem deixar a mais comovente lembrança sobre seu pai nos comentários, recebe um exemplar autografado do livro em sua casa)

11:21 AM :: Comentários:


Sábado, Maio 03, 2008

O QUE MEU IRMÃO RODRIGO FALAVA ONTEM DE NOITE:
(o mais sábio dos amigos nos momentos complicados)

Fabrício Carpinejar



- Meu irmão, você é orgulhoso, é da família, eu sou orgulhoso, nós não poderíamos ser diferentes. Era o orgulho ou a dor. Escolhemos o orgulho para superar a dor. O orgulho não cura a dor, mas faz esquecê-la. O orgulho entretém o ferimento. Ele nos isola. Não seríamos nada, nem chegaríamos onde estamos se não fosse o orgulho. O orgulho uniu a família após a saída do pai, o orgulho nos manteve coesos, convictos, um amparando o outro. Não seria promotor sem orgulho, Miguel não seria juiz sem orgulho, Carla não seria promotora sem orgulho, você não seria escritor sem orgulho. Estudamos por orgulho. O orgulho é nosso cobertor de trauma. Nosso esconderijo de árvore. Nossa crueldade para proteger a verdade. Não tivemos tempo para recalques, terapeutas, psicólogos. Lavava-se a ferida e seguia adiante. A água foi nosso curativo. Orgulho de vingar as raízes, de contrariar a expectativa de vida. A alta taxa de mortalidade de nossas palavras com o divórcio. Orgulho, mano. Orgulho de não permitir que pisem na gente, de não pisar, de levantar os livros com os pés. Somos sobreviventes porque nos agarramos ao orgulho. Não pedimos favor à decadência, à falência. Não aceitamos a falta de chance. Não justificamos derrotas. Cada um tinha uma tarefa, um jeito de sufocar a asma, a tosse, a fraqueza. Obrigados a deixar o corpo quieto, de algum jeito, para não nos atrapalhar, para não nos denunciar. O mundo não devia nos ouvir, nos localizar. Tanto trabalhamos pelo orgulho que estamos longe. Não havia chance de confirmar premonições, consultar horóscopo, avisar dos planos. Não desistimos por orgulho. Orgulho, mano, de não olhar para trás - cairíamos sem volta na própria voz. Orgulho sem portas, orgulho com pontas, orgulho com as facas que o orgulho afia nos dentes. Vendamos a vista com os cabelos. Cavamos o orgulho das paredes. Somos uma família de pedras. Pedras orgulhosas, pontiagudas, pedras batendo em pedras. Levantamos a mãe com o nosso orgulho. Juntamos as mesadas das mãos para arrematar um começo. Todo começo era um final, lembra? Todo almoço era uma despedida, lembra? Orgulho, mano, o orgulho nos ajudou. O orgulho de mandar notícias unicamente quando as coisas estavam bem. Orgulho de sonegar as tristezas porque havia uma tristeza maior para combater. O orgulho nos resgatou, esse sentimento mesquinho que a maioria pede para colocar fora. Quando tudo está fora, somente o orgulho salva. Orgulho, mano, o orgulho foi bom até hoje, não precisamos mais dele. Teremos que pedir ajuda.

8:19 PM :: Comentários:

MISTERIOSO JOGO NARRATIVO DE CARTAS
Martha Medeiros transforma em contos correspondências de situações-limite.

Fabrício Carpinejar
Poeta e jornalista, autor de “Meu Filho, Minha Filha” (Bertrand Brasil, 2007, 3ª edição)



Apesar de uma única voz, a carta não deixa de ser um diálogo. Um diálogo recalcado. Um diálogo reprimido. Um diálogo potencializado. O remetente tenta pensar e sentir pelo destinatário, acolhendo dúvidas, hesitações e incertezas do outro de um modo premeditado. A carta é - na verdade - o fim do monólogo, porque quem escreve está cansado de falar sozinho.

Martha Medeiros incursiona novamente na ficção, na seqüência do romance “Divã” (2002) e da prosa com jeito de peça “Selma e Sinatra” (2005).

Reconhecida como poeta e cronista, ela se sente mais confortável na primeira pessoa. Ao invés de visitar os personagens, os personagens a visitam. Ela parte do depoimento para conquistar adesão, cumplicidade e verossimilhança. Sua prosa funciona à base da afetividade, do desabafo como condutor das contradições da vida moderna.

Seu livro Tudo que eu queria te dizer (Objetiva, 175 páginas) propõe uma série de correspondências como contos, enfeixados pelo sentimento de fim de jogo. São correspondências de situações-limite. Mulher deixando o marido e os filhos para morar com o amante, filha desabafando aos pais que virou atriz e não seguiu a carreira que eles gostariam, mãe relatando para avó a ausência de convidados na festa de aniversário de sua filha, esposa escrevendo ao marido que finalmente está apaixonada por ele, amante expondo a intimidade da infidelidade para esposa. Não falta, portanto, ofício de um demissionário.

As correspondências violadas estão cobertas de um sentimento de vingança ou de perdão, num jogo de claro-escuro, de sair bem de uma história e ainda acertar as contas. Impregnadas de uma urgência, de um não mais posso adiar para contar.

Mesmo com o apelo decisivo, resta uma imensa vulnerabilidade dos missivistas. Ora fracos, ora piedosos, ora irascíveis, ora autoritários, mas sempre dependentes. Eles estão resolvendo, porém resolver não basta, precisam da legitimidade do interlocutor e comunicar do melhor jeito possível. Precisam que o interlocutor os compreenda. Ainda que possuídos pelo orgulho da dor, não abafam a humildade de se partilhar pela última vez. Esse paradoxo é que move os subterrâneos dos textos.

A carta depende da leitura para se fazer viva. Por mais que as máscaras sociais vão sendo derrubadas, permanece em aberto o direito de resposta. Da construção de uma defesa e da imposição de um ataque, não há ponto final, existe sim o mal-estar da incompletude. Diferentes naipes de um carteado desesperado, em que o blefe é quase impossível e não encontraremos vencedores. Aprende-se que exorcizar os demônios não significa encontrar novamente a normalidade.

A tese é de que cada carta seja um novo enredo e abertura de uma diferente perspectiva, numa estrutura complexa de insinuações e provocações. A narrativa curta encaixa-se perfeitamente quando supera a crítica aos costumes e fragmenta-se no nervosismo do suspense. Um exemplo é o testamento ao delegado Adelino redigido pelo padre Josias, entregue depois de sua morte e que rompe o sagrado sigilo do confessionário. Nele, a esposa do policial é pivô de um assassinato ocorrido na cidade e nunca descoberto.

Martha Medeiros acredita se valer do olhar de ambos os sexos para contextualizar o comportamento familiar e a dificuldade de encontrar um ponto de equilíbrio e satisfação individual. Isso em meio a um clima de cobrança e paranóia de ser feliz no amor e no trabalho. Mas das trinta e quatro cartas, vinte e cinco são assinadas por mulheres. A maioria acaba pesando no timbre e na construção do mundo, com uma ironia inteligente, uma franqueza maternal e uma esperança conciliatória. Não somente encontrar um amor, mas ser justo com o destino dele (quer algo mais feminino?). A forma de falar é sutil e muito parecida, mesmo quando o remetente é um homem. A superfície sonora - elevação coloquial e a inserção de gírias - muda, não o espírito de exploração e sua profundidade sagaz, com observações apuradas e letais, tipo "Esses homens que nos largam, como ficam importantes depois que somem".

Uma ilustração da permanência do ponto de vista feminino é a epístola de Danilo, ao confortar seu amigo do suicídio da mulher. "Talvez um minuto antes, um minutinho antes, ela estivesse pensando em qualquer coisa amena, vulgar: que estava na hora de se depilar, por exemplo."

Nesse ponto, talvez Martha não tenha cumprido sua ambição. É sempre igual tom reagindo a experiências singulares.

Ou o livro cumpriu por ela. Pois a última carta, uma das duas sem destinatário, é de uma mulher que segue a receita do terapeuta e “escreve tudo o que passa em sua cabeça”. Esse “tudo”, com a localização estratégica da correspondência encerrando a obra, pode ser o novelo inteiro das cartas. Essa afirmação fecha com o título: “Tudo que eu queria te dizer”. Sem assinar, a personagem desabafa: “a gente precisa estar sempre pensando nelas antes de pensar em nós, crianças, filhos, sobrinhos, bebês, coleguinhas, quanta exigência, quanta demanda, e o medo de que eles morram?” Mais adiante diz: “Ninguém tem cura, e você também não, ninguém, somos todos um bando de artistas se fingindo de civilizados, vai negar?”.

Significativo é que se trata da missiva mais plural, porta-voz das crises levantadas ao longo do volume. Não parece uma confissão de autoria?

“Talvez eu esteja querendo botar todo mundo no mesmo saco pra não me sentir tão filho-da-puta”.

Se a última carta é de quem escreveu as anteriores, assumindo inusitadas percepções e cruzamentos, personas e traumas, o escopo feminino está mais do que justificado, além de ser surpreendente, elevando a ficção para um patamar imbatível de compacta unidade.

“Tudo que eu queria te dizer” corresponderia assim a um desdobramento epistolar de “Divã”. No romance, a personagem fala com seu terapeuta. Aqui ela escreve.

Publicado no jornal O Globo, caderno Prosa e Verso, página 4, 03 de maio de 2008

11:23 AM :: Comentários:


Sexta-feira, Maio 02, 2008

MÁXIMAS
Detalhe da caricatura de Eliéber Fumero, que captou a inclinação triste de meus olhos



"Colocar a pedra no chão é muito mais difícil do que arremessá-la."

"Não basta sentir, a mulher tem que explicar o que está sentindo, o homem sente e não precisa explicar."

"O que para os alunos são apenas mais quatro horas, para mim é tudo, aquilo para mim é minha vida. Isso interfere, a diversão também, você tem que se divertir na sala de aula."

Alguns dos meus pensamentos em longa entrevista feita por Sílvio Espírito Santo, Thiago Cyles e Glenda Yasmin, alunos de minha oficina em Campo Grande, no início do ano. Confira o blog.

10:41 AM :: Comentários:


Quinta-feira, Maio 01, 2008

BUQUÊ DA NOIVA NA PIAUÍ

A Piauí fez uma crônica saborosa sobre o casamento que conduzi em São Paulo. Está disponível no site da revista.

O AMOR ANOITECE
No matrimônio moderno, a poesia tem força de lei.

JOÃO M. SALLES



No dia 16 de janeiro, o poeta gaúcho Fabrício Carpinejar recebeu um email. Não reconheceu o remetente. Olhou o campo do assunto e leu: “Convite poético”. Havia a dúvida: seria um convite em forma de poesia? Um convite para uma tertúlia poética? Nem uma coisa nem outra. “Oi, Fabrício, tudo bem?”, começava o texto. “Não nos conhecemos pessoalmente. Meu nome é Eliza, sou jornalista. Escrevo por um motivo especial. Pode parecer estranho, mas vale a pena tentar...” O poeta leu até o fim, e depois releu. Pensou consigo mesmo, pasmo. “Fui convidado para um casamento. Para celebrar um casamento...”

Era isso. Eliza Muto e Stefan Gan tinham decidido oficializar uma união que já existia de fato havia seis anos. Como não eram religiosos, dispensavam padres, pastores, rabinos e até um juiz de paz em troca de um poeta. “Afinal, quem mais capacitado para celebrar o amor do que o meu poeta favorito?”, perguntava a noiva, não sem sinceridade, mas com uma ponta de astúcia. Poderia haver argumento mais definitivo? O poeta acedeu. A delicadeza do pedido era sublime.

Carpinejar tomou um avião e no dia 29 de março, um sábado, desceu em São Paulo. O casamento estava marcado para as 6 da tarde, numa chácara da Vila Mariana. Às 5, já esperava na recepção pelo noivo, que viria buscá-lo. Nunca o vira —“Sinceramente, não conhecia ninguém: padrinhos, pais, parentes, amigos... iria para uma festa sem nenhum vínculo, a não ser a poesia” —, mas não tinha dúvida de que seria reconhecido.

Poetas gozam do direito a certas liberdades, e, no que diz respeito à etiqueta do vestuário, Carpinejar é um homem livre. Para a cerimônia, escolheu uma “calça esverdeada fashion”, uma camisa de botões de madrepérola (que, fosse outra a ocasião, formariam um belo time de botão) e um lenço carijó gaudério, preso por um anel no qual se entrelaçavam a bandeira do Rio Grande do Sul e a do Brasil. Ornando o rosto, óculos verdes louva-deus. O corte à máquina deixara sua cabeça calva, com exceção de três letras capilares: POA — vistosa homenagem aos 236 anos do torrão natal. A mão direita mostrava-se convencional. A esquerda, não: trazia as unhas pintadas de marrom, uma pequena traição à mulher, que agora disputava o horário da manicure com o marido. A quem lhe perguntasse sobre a idiossincrasia, Carpinejar oferecia respostas elaboradas: “Para não confundir meu filho: duas mãos pintadas são de mulher, uma é de poeta; ser conduzido por uma mão feminina, mesmo que seja a minha, é muito melhor; e também serve para não lavar louça: minha mulher nunca podia, alegava que estragava as unhas. Agora eu também não posso. Passamos a comer fora.”

O noivo chegou às 17h40 e não hesitou: era aquele o poeta. Entraram numa van, na qual já estavam os pais do nubente. Eram americanos e não falavam português. Muito menos esperavam por semelhante aparição. Não souberam disfarçar uma expressão de “Ah, Deus, é ele?!”, mas nada além: foram gentis, até porque não tinham escolha. Chovia a cântaros.

Ao chegar ao local do enlace matrimonial, a abundância semiótica de Carpinejar fez com que variadas pessoas o tomassem por:

a) líder de uma seita regionalista desconhecida (lenço gaudério);
b) curandeiro (unha pintada de marrom);
c) membro de uma facção budista (cabeça raspada);
d) homem-propaganda (um segurança decifrou POA como marca de água mineral);
e) cover de Bono Vox (óculos louva-deus).

A desorientação não era apenas dos circunstantes. Também o poeta se viu confuso. A noiva entraria em cena somente no momento do altar — mas a noiva é quem o tinha convidado. “O que vocês combinaram?”, perguntou, ansioso, ao noivo. “Nada”, disse o rapaz, incapaz de desanuviar o celebrante. “Nem na minha primeira sessão de autógrafos fiquei tão nervoso”, confessaria depois Carpinejar.

Quando finalmente a noiva abriu espaço — de braço enlaçado ao do pai, luminosa, com seu vestido branco e suas tatuagens de flores derramadas nos ombros desnudos —, instalou-se o pânico. “Onde eu fico?”, perguntou ela ao poeta. “Por Deus”, contaria Carpinejar, “eu acreditava que não imitaríamos uma encenação oficial. Na ausência de coordenadas, assumi totalmente o sacerdócio. Distribuí os padrinhos, armei a entrega das alianças, improvisei os passos.” E esperou pelo milagre.

Que demorou a vir. Na primeira palavra, o microfone falhou. Uma criança gritou. Relampejou forte. O poeta pigarreou. E disse: “Sem querer, o casal está realizando o sonho da minha mãe. Ela queria que um de seus filhos fosse padre. Não entendia a desigualdade divina, que deu à família vizinha três padres e uma freira, mas para ela não reservou ninguém”. Sentiu que reassumira a própria voz. Os noivos sorriam, os padrinhos também, havia algo de bom no ar.

Ele então decidiu cumprir a função para a qual fora chamado: foi poeta. Olhou para os dois e disse: “O tempo passa rápido para os outros, não para vocês. O tempo está vivo em vocês. Minucioso. Detalhista. Obcecado. É como ficar o dia inteiro em casa. E, de repente, perceber que anoiteceu. ‘Já anoiteceu’ é uma das expressões mais bonitas. Significa que não controlamos as horas. Casar é anoitecer. É quase perguntar: ‘Como chegamos aqui?’”

E, como os noivos sabiam muito bem como haviam chegado ali, o poeta encerrou: “Stefan, você ama Eliza?” Ela disse que sim. “Eliza, você ama Stefan?” Stefan amava. “O ‘Eu te amo’ dispensa qualquer nova pergunta. O que vier depois será resposta, como este casamento. Eu abençôo os noivos, casados em nome da poesia.” O casal se beijou, e o sacerdote desconfia que os dois choraram dentro do beijo.

2:07 PM :: Comentários:

MEU QUERIDO AMOR



Nunca escrevi diretamente para você. Sempre havia uma destinatária em seu lugar. Eu abreviava o caminho, não sei se recebeu alguma notícia minha desde a adolescência ou se as cartas nunca passaram pela poça de seu sopro. Hoje coloquei meu blusão verde bordado 38. O prazer da gola coçando a barba me animou – sou movido ao tato. É dia de inverno, próprio para sentar com uma cadeira dobrável no pátio e expor o rosto à enxaqueca do sol. Não me importa que seja obrigado a tomar uma aspirina depois. Dependo de sua claridade inconsolável.

Desculpa, Amor, você não tem nada a ver com o nosso destino. Nós terminamos antes que você termine. É assim. Desistimos enquanto você prossegue. E apenas você, Amor, que irá até o fim, onde deveríamos acompanhá-lo, você vai até a nossa velhice: as mãos concedidas debaixo dos lençóis. Nós ficaremos na meia-idade, os braços pedindo um táxi. Nós o negaremos secretamente, apesar das pontadas violentas e da saudade dolorida. Negaremos inclusive que o conhecemos, que você é nosso encontro. Seus traços serão coincidências, nunca a soma óbvia dos nossos perfis e lápis de cera.

Nossas dúvidas escondem você. Porque é necessário confiar naquilo que ainda não sabemos. E queremos saber tudo antes mesmo de ter vivido. Nosso nervosismo não tem tranqüilidade para aceitá-lo.

Você tem paciência; nós, tempo. Sei que você não se fez sozinho, não posso escrever em seu lugar, você não é o que confio, é o que confio mais o que confia quem eu amo. E quem eu amo não poderá falar por você igualmente. O amor está entre duas conversas, duas ânsias, dois passados. Não é o desejo da direita, nem o da esquerda. É o que está entre os dois. Flutuando.

O amor é se despertencer. É sentir para passar adiante, não é sentir para ficar com aquilo. É não suportar sentir mais sozinho. Eu me desacostumei com a minha solidão.

Pela pressa de ter o amor só nosso, só nosso, somos capazes de destruí-lo com palavras. Não temos nada para odiar naquela pessoa. Estávamos agradecidos pelo espanto provocado pela sua chegada. Irreconhecíveis pela felicidade que nos fazia imaginar em dobro. Na noite anterior, éramos a vontade desesperada de entender. No dia seguinte, nenhuma vontade de compreensão. Não há persistência, há precipitação.

Mentir para uma pessoa não é tão grave quanto mentir para você, Amor. Mas os casais mentem que você foi um engano, um engodo, uma mentira. Chegam a dizer que você não existiu. Você fica perdido entre as defesas e ataques de ateus, céticos, agnósticos, crentes.

Somos fracos e desabafamos o que não acreditamos. Despejamos tanta violência sobre aquele que amamos para provocar. Para desencadear uma reação. Somos cruéis em nome de amor, para não sujar o nosso nome.

Somos imundos, desolados, irascíveis. Por não agüentar alguma coisa não resolvida em nossa vida. Algo aberto, inacabado. Uma fresta nas venezianas e não mais dormimos. Desconfio que nossa curiosidade está toda no ódio. Não toleramos ter que esperar. Se ele ou ela não vem agora é que não me deseja mesmo. Concluímos logo. Feitos perfeitamente para a fúria, incomodados com a brisa.

Procuramos decidir de vez se aquilo presta ou se não presta, se vale ou se não vale. Ansiamos por um veredicto, uma salvação, uma paz. Penso que desejamos a separação para não sofrer mais. Produzimos a separação, é a resposta mais rápida. A resposta mais rápida é vista como a certa. Um alívio para seguir com o trabalho, e mostrar clareza aos amigos.

E os amigos bem-intencionados não vão nos ajudar. O que disserem a respeito do que aconteceu não será suficiente, o amor é um dialeto restrito aos dois que se amam.

Não reparamos no principal, Amor. Não reparamos que quando amamos o tempo não faz a mínima diferença. Amar será sempre recente: será ontem. Anos juntos e a sensação é que foi ontem. Anos separados e a sensação é que foi ontem. Ontem, ontem. Não há anteontem no amor. As lembranças mais longínquas já são corpo.

É uma pena, Amor, que somos mais decididos do que amorosos. Amar é não decidir. Decidir é terminar sempre.

Aguardo seu retorno.

Abraço

Fabrício Carpinejar

São Leopoldo (RS), 1ª de maio de 2008.

1:35 PM :: Comentários:


Quarta-feira, Abril 30, 2008

OFICINA DE POESIA NO STUDIO CLIO
Desenho de Vicente



Estão abertas as inscrições para minha oficina de criação poética. Há somente mais cinco vagas. Os encontros semanais acontecem no Studio Clio (José do Patrocínio, 698), em Porto Alegre (RS). Durante a seleção, os interessados devem apresentar um poema. Informações pelo telefone (51) 3254.7200 ou pelo e-mail clio@studioclio.com.br

O curso "Desinventando a poesia" ocorre às segundas, das 19h30 às 21h30, a partir de 5/5. O objetivo é conscientizar poetas e leitores da importância da brincadeira da linguagem e das inversões do ponto de vista. A partir de leituras e versos em aula, particulariza-se a observação, em especial dos detalhes irrelevantes do cotidiano. Para acentuar os movimentos de dedução e fantasia literária, serão desenvolvidas tarefas como cartas, troca de sapatos, esvaziamento de bolsas, jogo da forca, lista de mercado e relação de objetos perdidos.

StudioClio
Rua José do Patrocínio - 698 Cidade Baixa Porto Alegre / RS 90050-002
Telefone: (51) 3254.7200 Fax: (51) 3254.7215


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